Pois é, Clarissa! Fui
desmascarado! Tenho não apenas orgulho dessa inquietude que me é peculiar como,
fazendo um exercício mental agora, acabo de perceber também que em minha lista
de “heróis” não consta nenhum nome que não tenha essas características. Ao que
tudo indica, eu seria um péssimo terapeuta, porque acredito que a dor e o
sofrimento de ser assim é preferível à alegria e ao contentamento, por vezes
ingênuo, que caracteriza o outro lado. Costumo até brincar que tenho medo de gente muito feliz. Porque,
quando me vejo diante dessas pessoas, não sei bem discernir se estou diante de
um “santo” que conseguiu superar a tristeza em virtude de alguma evolução
espiritual; ou se estou cara a cara com alguém que simplesmente não percebe as sutilezas da vida.
O “olhe ao redor, estranho, não?”
me diz isso. É o “grito silencioso” de alguém que percebeu o óbvio: tem coisa
estranha nisso aqui! Se dá trabalho ser assim? Não tenha dúvidas. Mas eu não
trocaria essa loucura consciente por qualquer forma de contentamento
inconsciente. Não sou daqueles que pregam que, na vida, o importante é ser
feliz. E muito menos daqueles que acreditam que a “evolução” em nosso caminho
se dá por aceitação.
Enfim, Clarissa! Há tanta coisa
para pontuar. Mas deixo estar.
Em minha lápide, pode ter certeza
que estará escrito assim: aqui jaz um
inconformado!
No fundo, não deixa de ser um preceito budista: viver é sofrer!
Beijão,
Beijão,
G.
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