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sábado, 10 de novembro de 2012

Ventos e quadris

Gus, Gus, Gus...

Acho que esse orgulho todo pode fazer com que, sem perceber, a gente acabe diferenciando as pessoas em termos de saber... Eu prefiro ficar atenta às vaidades desta ordem, mas não é exatamente um conselho para você, é mais um alerta para mim, de fato.

Bom, como você sabe, comecei a trabalhar como psicóloga na Universidade Federal do ABC. Sabe, eu tinha muito medo de me ver como pertencente a algum mundo que não o universitário, que é onde minha alma se derrama. E, veja bem, pertencente durante 40 horas semanais! Mas você deve estar se perguntando, "ué, mas ela não está trabalhando dentro de uma universidade?" Pois é, meu amigo, mas estou do lado de lá (ou de cá?). Eu atendo os alunos e professores, o lugar é completamente outro.

Claro que isso tem a ver com o papo de cima, de orgulho de pertencer ao grupo dos inconformados... Eu tinha (tenho ainda) um medo honesto de perder minha identidade. Que coisa maluca, não? A identidade da gente não deveria poder ser perdida. Mesmo quando estamos diferentes, tudo deveria fazer parte de um processo de identificação dentro de uma grande e mais definitiva identidade, que é a do ser Clarissa. Mas a verdade é que cada grande mudança que corta significativos cordões umbilicais é sentida como uma perda de identidade por mim. Como se um pedaço da minha história fosse arrancado e outro precisasse de lugar, meio de sopetão, tentando caber no vão das poltronas que já estariam ocupadas, chegando com quadris bem largos e espaçosos.

 Pois é... sinto que os ventos são outros. Devo fazer uma reverência à força de condução da vida. Ela tem me dobrado...

Um beijo especial para ti da amiga Clarissa




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