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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Real: um delírio?

Querido amigo,

Bom conversar com um cético. Na verdade, é sempre bom conversar com você, mas especialmente bom por ser cético. Acho que é mentira esse negócio de você não acreditar em destino, rs. Você acredita mesmo, completamente, em seu ceticismo? Concordo contigo sobre a falta de controle nossa e talvez da vida sobre a nossa vida. É que uma complexidade tão bela como a vida ser jogada, assim, ao acaso das consciências, parece um desperdício, às vezes. A você não parece?

Bom, quanto a mim, sou declaradamente crente em todas as coisas do universo que são e não são nomeadas (Papai Noel, pai de santo, Deus, espíritos e santos de toda a ordem, gnomos, destino, astrologia, carma, energia, arrepios...). Gosto do mundo limiar, das fronteiras, daquilo que pode ser sentido, mas não tocado; intuído, mas não comprovado... Adoro o status do quase, do talvez, do poderia ser. E acho mesmo que fantasia é um tipo de realidade, das mais profundas e ricas. Realidade, para mim, não significa correspondência com dados objetivos. Algo que eu penso já é realidade em alguma instância dentro de mim.

Sei que Kant deve estar rindo de mim nesse momento. Pensar e conhecer são processos diferentes para o filósofo, um defensor da verdade de correspondência entre os fatos e pensamentos. Com toda minha reverência honesta ao ilustre pensador, permito a mim mesma considerar desnecessária qualquer correspondência dos pensamentos com dados objetivos para atingir a verdade ou a realidade. O que é real dentro de mim é real para mim, e isso, me basta.

Um beijo da amiga Clarissa

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