Querido amigo,
Vou evitar me desculpar por ausências e essas coisas. Acho que tenho me escondido de mim mesma. Como eu já comentei em outro momento com você, não tenho talento para escolhas, mas tampouco me vejo com talento para viver o dia a dia como ele se apresenta. Minha alma gosta do movimento, ela até acha que prefere as mudanças à estabilidade, mas quando a desordem das novidades surge, um recolhimento com cara de caos se instala sem avisar. Ou talvez até avise, dando uns sinais de que algo vai ser diferente. Na verdade, eu não sei dizer "não" para a vida. Ela me desafia e eu respondo positivamente. Ela me convida e eu vou como quem não tem outro caminho. Parece até uma falta de escolha...
Eu queria voltar a falar sobre as almas enfermas, aquelas que precisam "nascer duas vezes" para aprender a se adaptar e ver o mundo com certa leveza e aceitação. Não sei se me enganei, mas senti um certo orgulho embutido em sua fala ao se assumir como pertencente a esse grupo. Senti que você admira a inquietude, a criatividade, o jeito inconformado que acaba fazendo história. De minha parte, essa condição me traz mais angústia e desadaptação que admiração. Claro que tem uma parte de minha alma que sente essa pitada de orgulho, mas com o passar dos anos, com a convivência com algumas pessoas, fui entendendo que não é nada assim tão especial, é só um tipo de estrutura psicológica, com seus desafios próprios. Não é para se reclamar, claro, só pensamentos, meu caro, pensamentos.
Estou a ler Charles Taylor, Uma era secular, e o que posso dizer é que ficamos mais complexos a cada dia. Está mais difícil definir os seres e a sociedade. Isso ou aquilo não diz quase nada da gente. Precisamos de "muitos issos e aquilos também". Sei lá, acho que acordei com medo da imensidão da vida. Me ajude, amigo.
Um beijo com carinho da Clarissa.
Vou evitar me desculpar por ausências e essas coisas. Acho que tenho me escondido de mim mesma. Como eu já comentei em outro momento com você, não tenho talento para escolhas, mas tampouco me vejo com talento para viver o dia a dia como ele se apresenta. Minha alma gosta do movimento, ela até acha que prefere as mudanças à estabilidade, mas quando a desordem das novidades surge, um recolhimento com cara de caos se instala sem avisar. Ou talvez até avise, dando uns sinais de que algo vai ser diferente. Na verdade, eu não sei dizer "não" para a vida. Ela me desafia e eu respondo positivamente. Ela me convida e eu vou como quem não tem outro caminho. Parece até uma falta de escolha...
Eu queria voltar a falar sobre as almas enfermas, aquelas que precisam "nascer duas vezes" para aprender a se adaptar e ver o mundo com certa leveza e aceitação. Não sei se me enganei, mas senti um certo orgulho embutido em sua fala ao se assumir como pertencente a esse grupo. Senti que você admira a inquietude, a criatividade, o jeito inconformado que acaba fazendo história. De minha parte, essa condição me traz mais angústia e desadaptação que admiração. Claro que tem uma parte de minha alma que sente essa pitada de orgulho, mas com o passar dos anos, com a convivência com algumas pessoas, fui entendendo que não é nada assim tão especial, é só um tipo de estrutura psicológica, com seus desafios próprios. Não é para se reclamar, claro, só pensamentos, meu caro, pensamentos.
Estou a ler Charles Taylor, Uma era secular, e o que posso dizer é que ficamos mais complexos a cada dia. Está mais difícil definir os seres e a sociedade. Isso ou aquilo não diz quase nada da gente. Precisamos de "muitos issos e aquilos também". Sei lá, acho que acordei com medo da imensidão da vida. Me ajude, amigo.
Um beijo com carinho da Clarissa.