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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Olho por olho...

Querida Clarissa,

Interessante a vingança ter aparecido por aqui de repente. Sempre tive curiosidade sobre o tema, sobretudo porque a maior parte das novelas, dos filmes e das histórias (reais ou não) que nos chamam a atenção tem alguma coisa a ver com vingança. Como não lembrar, por exemplo, do magnífico Ben-Hur e de sua cruzada durante todo o filme contra o ex-amigo Messala? Como não vibrar com “O conde de Monte Cristo” e sua incrível estratégia vingativa contra, novamente, um ex-amigo de infância que lhe roubara a vida e a mulher? (vingança e traição, aliás, tem atratividade por natureza, não acha?)

No fundo, tudo o que envolve vingar, passar a limpo, descontar, enfim, nos interessa. Porque parece que uma parte de nós está sempre frágil e exposta. Parece que, em algumas áreas, estamos sempre precisando que alguém nos defenda e nos livre das “injustiças” que ocorrem durante a vida (e vamos combinar que o termo “injustiça”, geralmente, é bem mais subjetivo que objetivo).

O curioso é que, no caso das religiões, não é muito diferente. Embora, numa primeira análise, a vingança seja evitada para dar lugar ao perdão (oferecer a outra face), na prática mesmo – e traçando um histórico dos grandes sistemas religiosos – percebe-se que todos nascem de um ímpeto vingativo, de uma insurreição contra princípios e valores de sociedades inteiras (e reconheçamos: se tomarmos, por exemplo, o judaísmo e o cristianismo por base, pode-se visualizar uma porção de narrativas estruturais que tem relação direta com o tema da vingança).

Talvez você seja capaz de fazer uma análise mais psicológica da vingança. Mas, a meu ver, parece claro que operamos por sistema de equivalência: ou seja, se você pisa o meu pé, não sossego enquanto não puxo o seu cabelo. E assim por diante.

Se isso, de certa forma, reequilibra os papéis? Não sei, tenho dúvidas.

Parece claro, no entanto, que – socialmente (e de modo institucionalizado) – as leis e os interditos constitucionais desempenham esse duplo papel. Ao que tudo indica, vivemos ainda num tempo de “olho por olho, dente por dente”.

Beijos não vingativos para você...
G.   

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