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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Prisões e vôos da espécie humana

Peço licença para discordar de uma premissa apresentada em seu texto, a de que somos os únicos seres desequilibrados deste planeta. Gostei do parêntese que indica a possibilidade de sermos - talvez - os mais desequilibrados.

Ainda falando de darwinismo, parece-me que a vaca está longe de ser uma simples "pastadora" à mercê do ambiente. Como qualquer ser de qualquer espécie, ela precisa lutar por seu lugar no reino dos seres vivos ou "a vaca vai para o brejo", rs. (perdoe-me pela piadinha ridícula). Alguns animais parecem ter conseguido a fórmula da permanência de sua espécie por longos períodos históricos, entretanto, nunca se sabe se uma era do gelo ou um aquecimento global não alterarão tudo novamente. Entendo, meu querido, que as variáveis para alguns seres (como parece ser o caso da vaca, mas meu conhecimento de biologia é tão parco, que prefiro não opinar com veemência) são bem menores do que as variáveis humanas. E nesse ponto entra a velha racionalidade e os processos do córtex.

Uma introduçãozinha para chegar à sua pergunta: se somos condenados à liberdade, como queria Sartre. Sim, evidente que sim. Condenados à liberdade de sermos complexa e paradoxalmente multideterminados. O que liberta também aprisiona, pois enquadra e nos faz responder etica e moralmente quando as respostas de outras ordens por si só já seriam suficientemente complicadas.

Por que é mais errado matar, se sempre se matou em todo o reino animal, não apenas para comer, mas também por outros motivos menos nobres como disputa sexual e até (no caso de algumas aranhas fêmeas em relação aos machos com quem acasalam) mata-se curiosamente somente após obter exatamente o que se queria? Por que é errado trair se não se observa exclusividade sexual em muitas outras espécies?

A verdade é que a espécie humana fica incessantemente tentando dar a si própria referências sobre quem é. Ela não conhece seus limites, sua força, seus objetivos evolutivos. Em relação a muitos e muitos outros animais, penso por vezes (de maneira honesta) que estamos é muito atrás no processo de evolução, principalmente a emocional. Somos bebês testando se chorar é bom ou ruim, se afinal funciona fazer birra para se chegar onde quer.

Vou terminando por aqui, com foco na questão da moralidade, e certa de que fugi do tema que gostaria de propor no início dessa carta (postagem soa menos nobre, rs). Mas como confio em sua capacidade de fazer ganchos, permaneço até esse ponto, aguardando a próxima jogada.

Um beijo para ti da Clarissa.

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