Querido amigo,
Peço desculpas pela demora em respondê-lo. Estou diante de uma escolha e sempre decisões me custam considerável energia. O fato de ser uma escolha do âmbito profissional alivia um bocado de tensão, mas não a evita. Acho que estou aqui já abrindo um novo tópico, mas não sem antes finalizar aquele.
Gustavo, eu, como você, acredito em educação, em gentileza, em valores humanitários. Não sou durona na hora da verdade, derreto ao ver bondade, delicadeza, arrependimento, nem que seja por um segundo, no olhar de outra pessoa. Sou inspirada pelos segundos de beleza que nossas almas nos permitem contemplar delas. Acredito fielmente que somos maiores e melhores do que imaginamos e do que apresentamos. Acredito verdadeiramente que no final sempre fica tudo bem, mesmo quando fica mal. As piores dores (conheço bem de perto uma delas, que é a loucura, o desfacelamento do eu, o eu engolido pela doença da mente), entendo-as como parte importante de um aprendizado maior, o da consciência (ou como alguns preferem, do espírito). É, eu sou uma ingênua, meio banana. Crio meus filho com essa bananice que não pode ser escondida em mim.
O fato é que acreditar e honrar tudo isso não nos faz ignorar o que está por baixo. Os mecanismos de sobrevivência nos expõem aos vícios, às vinganças, à violência, à miséria, ao desamor. A despeito de toda essa dor, aqueles segundos que descrevi acima e que você também sabiamente trouxe em sua última carta, são capazes de salvar o dia, o relacionamento, a vida, a consciência. A nossa humanidade é bela e trágica ao mesmo tempo, mas acredito muito na força do belo que sempre começa de novo.
Dentre as agruras da sobrevivência, está - como eu dei a entender no começo - a escolha, ou a tomada de decisão. Por que, G., parece-nos tão angustiante este processo? Porque ficamos o tempo todo a blasfemar contra a vida, Deus ou seja lá o que for, reivindicando que o poder esteja em nossas mãos, e justamente quando ele vem para elas, é que suamos, preferindo que a escolha já tivesse vindo pronta?
Bom, outro dilema complexo. Fico na expectativa de sua resposta, certamente rica.
Um beijo para ti da Clarissa.
Peço desculpas pela demora em respondê-lo. Estou diante de uma escolha e sempre decisões me custam considerável energia. O fato de ser uma escolha do âmbito profissional alivia um bocado de tensão, mas não a evita. Acho que estou aqui já abrindo um novo tópico, mas não sem antes finalizar aquele.
Gustavo, eu, como você, acredito em educação, em gentileza, em valores humanitários. Não sou durona na hora da verdade, derreto ao ver bondade, delicadeza, arrependimento, nem que seja por um segundo, no olhar de outra pessoa. Sou inspirada pelos segundos de beleza que nossas almas nos permitem contemplar delas. Acredito fielmente que somos maiores e melhores do que imaginamos e do que apresentamos. Acredito verdadeiramente que no final sempre fica tudo bem, mesmo quando fica mal. As piores dores (conheço bem de perto uma delas, que é a loucura, o desfacelamento do eu, o eu engolido pela doença da mente), entendo-as como parte importante de um aprendizado maior, o da consciência (ou como alguns preferem, do espírito). É, eu sou uma ingênua, meio banana. Crio meus filho com essa bananice que não pode ser escondida em mim.
O fato é que acreditar e honrar tudo isso não nos faz ignorar o que está por baixo. Os mecanismos de sobrevivência nos expõem aos vícios, às vinganças, à violência, à miséria, ao desamor. A despeito de toda essa dor, aqueles segundos que descrevi acima e que você também sabiamente trouxe em sua última carta, são capazes de salvar o dia, o relacionamento, a vida, a consciência. A nossa humanidade é bela e trágica ao mesmo tempo, mas acredito muito na força do belo que sempre começa de novo.
Dentre as agruras da sobrevivência, está - como eu dei a entender no começo - a escolha, ou a tomada de decisão. Por que, G., parece-nos tão angustiante este processo? Porque ficamos o tempo todo a blasfemar contra a vida, Deus ou seja lá o que for, reivindicando que o poder esteja em nossas mãos, e justamente quando ele vem para elas, é que suamos, preferindo que a escolha já tivesse vindo pronta?
Bom, outro dilema complexo. Fico na expectativa de sua resposta, certamente rica.
Um beijo para ti da Clarissa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário